#ConteudoEolimpiadas

​Segunda medalha de ouro do Brasil nos Jogos veio com todos os elementos eletrizantes das datas que ficam marcadas na memória olímpica.

O segundo ouro do Brasil na Rio 2016 veio de forma dramática, com todos os elementos eletrizantes das datas que ficam marcadas na memória olímpica.

Atletismo

A vitória do brasileiro Thiago Braz da Silva no salto com vara levou os espectadores à loucura no estádio olímpico, emocionou quem estava assistindo pela TV e desencadeou uma cadeia de comentários e menções nas redes sociais.

E não apenas em casa.

“Ele conseguiu! Ele conseguiu!”, exaltava-se no ar o ex-recordista mundial de lançamento de dardo Steve Backley, comentarista da BBC.

“Nunca na vida se viu um drama como esse. O estádio olímpico vai à loucura. Como diabos ele fez isso? Um novo recorde olímpico – o salto da vida dele.”

O ex-corredor de meio fundo Steve Cram concordava. “Vi muitas coisas em todos esses anos competindo e assistindo a provas de atletismo. Esse deve ser um dos melhores momentos: a torcida da casa, o talento da casa, mais alto que nunca, melhor que nunca.”

Vitória dramática

Momentos antes, Thiago Braz “roubava” a noite, vencendo ouro ao saltar 6,03 metros – um novo recorde olímpico. Aumentava em 11 centímetros sua própria marca pessoal para o salto com varas em prova aberta e se tornava o primeiro atleta brasileiro a levar ouro olímpico desde 2008 (quando Maurren Maggi ganhou no salto em distância) e o primeiro do sexo masculino desde 1984 (com Joaquim Cruz nos 800 m).

O jovem de 22 anos de Marília deixou para trás o favorito, o francês Renaud Lavillenie, que dois anos atrás “voou” a uma altura de 6,16 metros, quebrando o recorde anterior estabelecido em 1993 pelo gigante do salto com vara, o ucraniano Sergey Bubka.

Em uma noite interrompida pela chuva e pelo vento, com o relógio aproximando-se da meia-noite e o sarrafo tendo ultrapassado os 5,93 metros, os dois homens travaram um duelo na última prova ainda sendo disputada no Engenhão.

“(Thiago) Da Silva elevou a aposta contra Lavillenie escolhendo não saltar 5,98 metros e ir direto para os 6,03 metros. Você podia sentir, nesse momento, que os canais de TV estavam sendo sintonizados em todo o país”, escreveu o repórter do jornal britânico The Guardian no estádio olímpico, Andy Bull.

“De repente, essa disputa de salto com vara estava sendo transmitida para as casas e os bares em todo o Brasil, e recebia a atenção de todo mundo que tinha um TV ou rádio por perto.”

“Por volta de meia-noite, a lotação do estádio olímpico não podia ser sequer um quarto do total. Mas nos próximos anos, à medida que essa história for sendo recontada, descobriremos que a multidão devia ser muito maior do que parecia, pois muitos brasileiros vão dizer que estavam lá.”

Do abandono à glória

Apesar de pouco conhecido do grande público, Thiago Braz era esperança de medalha para o Brasil no salto com vara na Rio 2016. Em fevereiro deste ano, ele alcançou 5,93 metros no torneio de atletismo indoor ISTAF, em Berlim, deixando em segundo o francês Lavillenie.

Aquela foi a melhor marca da história da América do Sul.

Em 2012, ele havia se sagrado campeão mundial juvenil em Barcelona, Espanha, com a marca de 5,55 metros.

O jovem teve de superar dificuldades para chegar aonde chegou. Abandonado pela mãe e criado pelos avós, a família contou que por dias o menino esperou pela mãe com uma mochila nas costas – até se dar conta de que ela não vinha mais.

Mas no seu caminho, ele teve apoio da família. Foi seu tio, o atleta Fabiano Braz, que o atraiu para a modalidade.

O jovem talento começou a ser polido pelo ténico Élson Miranda de Souza, marido e técnico da recordista do salto com vara, Fabiana Murer.

À medida que suas conquistas iam se acumulando, chamou a atenção do técnico ucraniano Vitaly Petrov, conhecido por orientar ninguém menos que o compatriota Bubka e a russa Yelena Isinbayeva. Há cerca de dois anos, Thiago passou a treinar com Petrov, seu atual técnico, e vive na Itália.

Conta-se que desde pequeno tem o sonho de voar – metáfora perfeita para o esporte que o tornou célebre. Tanto que investiu o primeiro prêmio após se mudar para a Itália na compra de um aeromodelo.

‘Herói nacional’

Com o feito da Rio 2016, Thiago cai no conhecimento do grande público brasileiro, ou como grande parte da imprensa estrangeira aponta nesta manhã, acorda herói nacional.

Há quem veja na sua conquista mais do que a superação de uma marca pessoal – algo mais importante, inclusive, do que “apenas” mais um ouro para o Brasil.

“É ouro para Thiago Braz da Silva do Brasil. As pessoas na arquibancada estão chorando”, tuitou o repórter da BBC Tom Fordyce de dentro do Engenhão. “Esse pode ser exatamente o momento por que o Brasil estava esperando.”

“Toda Olimpíada precisa de um ouro icônico no Estádio Olímpico – Cathy Freeman em Sydney, Michael Johnson em Atlanta, Fermin Cacho em Barcelona, o trio Mo (Farah), Jess (Hennis-Hill), Greg (Rutherford) em Londres. Mas com tão poucas chances (para os brasileiros), achávamos que isso não fosse acontecer no Rio”, disse o repórter.

“Um talento da casa deu um jeito nisso de forma espetacular: destruindo seu recorde pessoal, esmagando o recorde olímpico, destronando o campeão que imperava.”

Informações do UOL