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Mesmo com a epidemia do zika vírus, da crise econîmica e do impasse na política, o Brasil está em uma espécie de “lua de mel” com a Olimpíada no Rio de Janeiro, escreveu Andrew Jacobs em texto publicado no jornal “The New York Times” deste sábado (13). Segundo a publicação, todas as notícias ruins foram suplantadas por um inesperado “caso de amor” com os jogos olímpicos, evento que “amoleceu os corações mesmo dos mais resistentes que agora estão desfalecidos com o orgulho e maravilhamento nacional”.

“Embora muitas pessoas nas áreas mais pobres do Rio ainda sintam que a Olimpíada está passando em branco, uma sensação de vertigem é notável em muitas partes da cidade com seis milhões de habitantes. Famílias de trabalhadores vestidas com as cores da bandeira verde e amarelo ao longo na orla de Copacabana passeiam até meia noite; espectadores entusiasmados lotam estádios com gritos ensurdecedores; e até os mais críticos que alertaram sobre o caos e lamentaram sobre os custos mudaram o tom, pelo menos até agora”, diz o texto.

O jornal cita o exemplo da colunista do “Estado de São Paulo”, Dora Kramer, que disse estar arrependida em ter escolhido outro lugar para passar as férias que não o Rio de Janeiro, após ter reclamado que os jogos eram inapropriados para uma cidade “tomada pelo crime, com desemprego crescente, e uma crise financeira que atingiu escolas, hospitais e delegacias de polícia”. “O Rio é uma maravilha”, destaca o NYT, citando Dora.

Jacobs menciona que a sete dias do encerramento dos jogos, os brasileiros disseram que o medo de ataques terroristas diminuíram consideravelmente, assim como de arrastões e problemas com o transporte que poderiam estragar a imagem do país no exterior. Segundo ele, essa mudança de sentimento aconteceu “da noite para o dia”, inspirada na cerimônia de abertura no dia 5 de agosto, que foi amplamente elogiada.

De acordo com o texto do NYT, a intensa polarização entre liberais e conservadores em torno do futuro de Dilma Rousseff no poder foi amenizada pelos jogos e essa divisão de dissipou, mesmo que temporariamente. “Muitos brasileiros estão celebrando em um momento que permitiu a eles esquecer a crescente inflação, o aumento do desemprego e um escândalo de corrupção que continua se desdobrando”, escreve Jacobs, concluindo que “períodos de euforia costumam dar lugar a ressacas desagradáveis”.

Informações do The New York Times