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Yusra Mardini, de 18 anos, foi apenas a 41ª colocada nas eliminatórias dos 100 m borboleta dos Jogos Rio-2016 e passou longe de uma vaga nas semifinais – apenas as 16 primeiras avançavam. A reação dela depois da prova, contudo, não sugeria nada disso. Integrante do time de refugiados que disputa as Olimpíadas, a atleta nascida na Síria precisou nadar para fazer a travessia entre Turquia e Grécia. Nas três horas e meia no Mediterrâneo, e ela e a irmã, Sarah, tiveram de puxar o barco em que a família estava, que ameaçava afundar – muitas pessoas não sabiam nadar. Para quem já passou por tudo isso, a simples presença no Rio de Janeiro já é uma vitória.

Filha de um técnico de natação, Yusra começou a praticar o esporte aos três anos. Sobreviveu a uma guerra civil que já matou mais de 400 mil pessoas na Síria, fugiu do país nadando e vive na Alemanha desde setembro do ano passado. Na Rio-2016, representa um time que também tem atletas de países como Congo, Etiópia e Sudão do Sul – os refugiados estiveram entre as delegações mais aplaudidas na última sexta-feira (05), na abertura dos Jogos.

Neste sábado (06), o público voltou a saudar Yusra de forma efusiva. “Eu me senti muito bem na água. Competir com grandes campeões é empolgante, e estar nos Jogos Olímpicos é tudo que eu quis na vida”, disse a atleta.

Antes de sonhar com a Rio-2016, porém, tudo que Yusra queria era uma vida melhor. Segundo a UNHCR ACNUR, agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para refugiados, a nadadora fez várias viagens para fugir da guerra civil. Em uma delas, uma travessia entre Turquia e Grécia, o navio em que estava encalhou na costa turca. Entre os outros 20 tripulantes, vários não sabiam nadar. Foi então que ela e a irmã pularam na água para puxar a embarcação. Yusra perdeu um sapato, mas salvou o grupo.

“Teria sido vergonhoso se as pessoas no barco tivessem se afogado”, disse Yusra, que representou a Síria no Mundial de piscina curta de 2012.

Informações de O Globo.com