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Os Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira ataques aéreos contra posições do grupo extremista Estado Islâmico (EI) em seu reduto de Sirte, na Líbia, a pedido do governo de união nacional (GNA), cujas forças tentam reconquistar a cidade;

“Os primeiros ataques americanos contra alvos precisos do Daesh (acrônimo em árabe do EI) foram realizados hoje” a pedido do GNA, “infligindo duras perdas (aos extremistas) em Sirte”, cidade localizada 450 km a leste de Trípoli, declarou o chefe do governo líbio, Fayez al-Sarraj, em um discurso televisionado.

O Pentágono confirmou o ataque.

“A pedido do GNA, as forças armadas dos Estados Unidos conduziram ataques precisos contra alvos do EI em Sirte”, indicou em um comunicado o porta-voz do Pentágono,Peter Cook.

Um responsável da Casa Branca explicou que o presidente Barack Obama “autorizou os militares americanos a realizar os ataques em apoio às forças do governo de coalizão, a pedido do primeiro-ministro” da Líbia. Os bombardeios em Sirte “vão continuar”, disse Cook, sem dar mais detalhes.

Mas para Sarraj, estes ataques “ocorrem num âmbito limitado de tempo”, disse, ressaltando que os mesmo “não vão ultrapassar os limites de Sirte e seus subúrbios”.

As forças do GNA apoiadas pela ONU tentam recuperar o controle de toda a cidade de Sirte, na qual entraram em 9 de junho e a cercaram.

O EI aproveitou-se do caos na Líbia desde a queda do ex-ditador Muammar Khaddafi para se estabelecer no país e tomar Sirte, em junho de 2015.

Desde a queda de Kadhafi, em 2011, o país vive a mercê de milícias armadas e fragmentada pelas disputas pelo poder.

Dois governos disputam a autoridade do país, o GNA com sede em Trípoli e um gabinete paralelo instalado no leste.

“Em resposta ao pedido do centro de comando de operação (para a retomada de Sirte) e em coordenação com o ministério da Defesa, o conselho presidencial (GNA), na sua qualidade de comandante supremo do exército da Líbia pediu apoio direto para os Estados Estado para realizar ataques aéreos direcionados contra posições do EI na cidade de Sirte e seus arredores”, afirmou o chefe de governo.

“Pedimos o apoio da comunidade internacional, nomeadamente dos Estados Unidos, mas gostaríamos de dizer que não haverá presença estrangeira em solo líbio”, garantiu, lembrando que “qualquer ajuda deve ser feita a pedido direto do GNA”.

Nenhum soldado americano “participará em operações terrestres do GNA”, ressaltou o porta-voz da Casa Branca, assegurando que a ajuda dos Estados Unidos “será limitada a ataques e partilha de informação”.

Referindo-se a uma recente desavença com Paris, o primeiro-ministro também salientou que “nenhuma ação será tolerada em favor de uma parte não-legítima, mesmo que no contexto da luta contra o terrorismo”.

No final de julho, o GNA acusou a França de “violação” de seu território, após o anúncio por Paris da morte de três de seus soldados que realizavam uma missão de inteligência junto com as forças do general Khalifa Hafter, que apoiam uma autoridade não reconhecida pela comunidade internacional.

Sirte é considerada um dos principais redutos do EI fora da Síria e do Iraque. O grupo extremista conta com entre 2.000 e 5.000 combatentes em diferentes cidades da Líbia, de acordo com um relatório apresentado no mês passado pelo secretário-geral da ONU Ban Ki-moon.

Os Estados Unidos já realizaram vários ataques direcionados contra o EI na Líbia. Em novembro, um bombardeio realizado por um F-15 matou o jihadista iraquiano Abu Nabil, apresentado por Washington como “o mais alto funcionário do EI na Líbia”.

E três meses depois, em fevereiro, um ataque aéreo atingiu um edifício dos extremistas em Sabratha, 70 km a oeste de Trípoli, causando cinquenta mortes.