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Bloqueadores de celular foram instalados nesta quinta-feira (28) na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP), na Grande Natal. O sistema, que promete impedir que os presos façam ou recebam ligações de dentro do presídio, é o primeiro da história do sistema prisional potiguar. Pelo fornecimento e manutenção dos equipamentos, a empresa Neger Tecnologia e Sistemas Ltda vai receber da Secretaria de Justiça e da Cidadania (Sejuc) R$ 174 mil, divididos em seis parcelas de R$ 29 mil. O contrato, que tem vigência até dezembro, foi publicado no Diário Oficial do Estado na edição do dia 5 de julho.
Durante a instalação das torres e dos bloqueadores, foram os próprios presos quem se encarregaram de espalhar a novidade. Fotos feitas de dentro do pátio da unidade rapidamente chegaram às redes sociais. Áudios, supostamente gravados por detentos, também foram parar em grupos de WhatsApp.  
Em contato com o G1, o secretário Wallber Virgolino, titular da Sejuc, procurou minimizar a situação, preferindo não fazer alarde sobre o equipamento. “Trata-se de um sistema de videomonitoramento com a utilização de infravermelho”, limitou-se a dizer.

Sem celulares e sem ventiladores, TVs e rádios

Em cindo cias, esta é a segunda vez que a Penitenciária Estadual de Parnamirim ganha destaque. No início da semana, a Sejuc puniu os presos da unidade ao recolher das celas do pavilhão 2 dezenas de aparelhos de TV, rádios e ventiladores. “Começamos a tirar os presos da zona de conforto. Benesses e regalias concedidas em outros tempos estão sengo substituídas por disciplina”, afirmou Virgolino ao falar sobre a apreensão dos objetos.
Ao G1, o secretário da Sejuc explicou que os aparelhos foram retirados como punição pelo mal comportamento e sucessivas tentativas de fugas dos presos. “Toda semana encontramos escavações de túneis no local. Isso precisa acabar. Não aceitaremos insubordinações”, afirmou.

Sistema em calamidade

O sistema penitenciário potiguar não passa por um bom momento. E faz tempo. Em março de 2015, após uma série de rebeliões em várias unidades prisionais, o governo decretou estado de calamidade pública e pediu ajuda à Força Nacional. Para a recuperação de 14 presídios, todos depredados durante os motins, foram gastos mais de R$ 7 milhões. Tudo em vão. As melhorias feitas foram novamente destruídas. Atualmente, em várias unidades, as celas não possuem grades e os presos circulam livremente dentro dos pavilhões.

Além das unidades depredadas e da superlotação, mortes dentro dos presídios e fugas também se tornaram problemas constantes para o Estado. Somente este ano, 16 detentos morreram de forma suspeita ou foram assasinados dentro das unidades prisionais do estado. E mais: 274 detentos já escaparam do sistema prisional potiguar em 2016.

Após uma das mais recentes fugas deste ano, quando 16 detentos escaparam de um presídio na região Seridó do estado, o secretário Wallber Virgolino chegou a afirmar que o Estado tem total controle da situação. “As fugas reduziram, o sistema distensionou. Os agentes penitenciários entram em qualquer unidade do estado a qualquer hora do dia e da noite, então nós retomamos o controle das unidades prisionais”.

Do G1.com