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As ruas do Rio amanheceram repletas de militares nesta sexta-feira (29). Na Zona Sul, dezenas de militares circulavam já nas primeiras horas desta manhã. São 88 mil homens escalados para proporcionar tranquilidade aos Jogos entram em campo. Eles trabalharão pelos próximos 63 dias, duração da prova mais desafiadora dentre todas as modalidades: a garantia da paz. Somente no Rio serão 67.500 homens, que formarão o maior esquema de segurança já montado na história da cidade.

As operações de patrulhamento contarão com um arsenal de tamanho gigantesco: as Forças Armadas utilizarão 12 navios, 1.169 carros, jipes e caminhões, 70 veículos blindados, 28 helicópteros, 48 embarcações de pequeno ou médio porte e 174 motocicletas. Isso sem contar os equipamentos das outras corporações encarregadas de acompanhar cariocas, turistas e as 205 delegações que participarão do evento.

Embora a Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos não dê detalhes, 42 mil militares estarão envolvidos com a realização dos Jogos no país, sendo 22 mil no Rio e 20 mil nas fronteiras e em outras cinco capitais onde acontecerão partidas de futebol. Além desse efetivo, 26 mil homens, entre PMs, policiais civis e bombeiros, estão encarregados de patrulhar a cidade em conjunto com 5 mil agentes da Força Nacional. Para completar, 5 mil guardas municipais trabalharão no entorno das áreas olímpicas e 2 mil farão rondas em outras regiões. As polícias Federal e Rodoviária Federal não informaram o tamanho de seus efetivos.

A maioria dos agentes de segurança não vai tirar folgas. Férias foram suspensas. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, garante que, após uma preparação que começou ainda no Panamericano de 2007, o Rio está pronto para os Jogos:

— Nós estamos, de acordo com o caderno de encargos do Comitê Olímpico Internacional (COI), preparados para cumprir todos os nossos compromissos. Durante a Olimpíada e a Paralimpíada, o Rio de Janeiro será uma cidade muito segura.

Na última sexta-feira, em um salão do Comando Militar do Leste, 60 generais faziam uma revisão dos resultados de todas as simulações realizadas por tropas federais. Apesar de a integração ter sido uma marca de cada teste, houve, meses atrás, uma queda de braço entre a Secretaria estadual de Segurança e o Ministério da Defesa para decidir quem cuidaria das favelas cariocas. Nesse embate, as Forças Armadas foram vitoriosas.

— Prevaleceu nossa opinião, achamos que quem mais entende de favelas e marginais é a polícia do estado. Soldados das Forças Armadas não têm essa expertise. Na divisão dos trabalhos, os policiais militares ficaram com as comunidades porque as conhecem melhor, sabem quem é quem — afirma Jungmann.

Segundo o ministro, “quase todo o trabalho restante” ficará por conta das Forças Armadas:

— Nós vamos fazer a segurança do Aeroporto Internacional Tom Jobim, das estações ferroviárias, da infraestrutura crítica (energia, antenas telefônicas), das vias olímpicas, das linhas Vermelha e Amarela, da Avenida Brasil, de toda a orla e do espaço aéreo.

Ainda de acordo com Jungmann, como Deodoro é uma das principais áreas de competições e fica perto de Costa Barros, uma das regiões mais violentas da cidade, terá um cinturão formado por 5 mil homens do Exército. A Aeronáutica também ajudará no deslocamento dos chefes de Estado, junto com a Polícia Federal.

Para permitir que as Forças Armadas desempenhem todas funções da segurança pública, foi adotada a chamada Garantia da Lei e da Ordem, que começou a vigorar no dia 15 e será usada até 24 de setembro, após o encerramento da Paralimpíada.